MANHÃ, por Miguel Paulista


MANHÃ

Acordei de manhãzinha.
Com o sussurro da noite nos olhos,
despertei os pés no capim fresco.


Olhei para o orvalho da flor,
vivi a frescura e a cor


Era batuque e poema...


Espreguicei o olhar mais além.
A neblina de sono, acariciou
o sol de fogo doce, que me beijou.


Ouvi "catuite" cantar
como só ele sabe bem...


Sentei na pedra grande,
acarinhei a água do ribeiro,
afaguei o capinzinho frágil.


Abracei a mangueira em flor
e enxotei os olhos, longe, longe...


Amarelos, laranjas, vermelhos, azuis...
Tudo encharcado em cor!


Respirei ternura.


Senti no cheiro da terra,
amor e doçura...


Anestesiei os olhos no céu...


É muito bom
acordar na minha terra!
Miguel Paulista
Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T2619269

1 comentário:

Eduardo A. Flórido disse...

Cobardemente,
Homens tiraram-nos o sonho, mas tu puseste-me a sonhar.

Abraço-te com amizade.
Eduardo Flórido.